Subud” e o simbolo dos sete circulos são marcas registadas da Associação  Mundial Subud

 

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O  que  é  o  SUBUD?   (1)

 

Subud é uma abreviação das palavras Susila, Budhi e Dharma.

O Subud não é uma nova religião, nem uma seita de qualquer religião; nem é um ensinamento. É apenas um símbolo da possibilidade para a humanidade de seguir a forma correcta de viver.

 

Susila significa sermos capaz de viver de acordo com a vontade de Deus, como verdadeiros seres humanos.

 

Budhi indica que, em toda a criação, em todas as criaturas de Deus, incluindo o homem, existe um poder divino que actua no seu interior e também no seu exterior.

 

Dharma significa a possibilidade de todas as criaturas, incluindo o homem, se entregarem completamente à vontade de Deus, da qual o homem é apenas uma criação e tem por isso, inevitavelmente, de se submeter à vontade do seu Criador.

 

 

Susila Budhi Dharma (Subud) significa seguir a vontade de Deus com a ajuda do poder divino, que actua no nosso interior e por fora de nós, através da nossa entrega à vontade de Deus Todo‑poderoso.

Susila Budhi Dharma é o símbolo daquilo que estamos a praticar no exercício espiritual (latihan) do Subud; isso significa que, o que for que aconteça no exercício espiritual do Subud é inteiramente da vontade de Deus e vem até nós porque é essa a Sua vontade.

 

Isso está completamente de acordo com o que foi dito nos Livros Sagrados – a Bíblia, o Alcorão e outros que possam existir; ou seja, que Deus está perto do homem, ou que se o homem se tiver aproximado de Deus, Deus pode‑lhe dar aquilo que o homem necessita, e este pode receber o que Deus tenha intenção de lhe dar.

O que é que temos de entregar a Deus? Não é a nossa riqueza, aqueles que amamos, nem as nossas posses, porque Deus não precisa dessas coisas. O que temos de entregar é a nossa mente, o nosso coração e os nossos desejos, porque esses são os instrumentos que formam um obstáculo à nossa aproximação a Deus.

Foi isso que Jesus Cristo quis dizer quando referiu que Deus estará sempre connosco, se nos conseguirmos entregar a Ele e se O conseguirmos amar mais do que a todas as coisas, mais do que a nós mesmos. Isso significa que o amor que temos no nosso coração e nos nossos sentimentos é um obstáculo que nos impede de chegar ao verdadeiro amor de Deus, porque este amor externo é apenas o amor pelas coisas de que gostamos acreditar amar. Mas o amor que devemos ter por Deus tem de ser maior do que esse.

Foi dada ao Profeta Muhammad a revelação de que Deus existia antes de tudo o mais ter passado a existir, e de que Deus existirá depois de tudo ter sido destruído. Deus é muito mais distante do que o mais distante. É mais profundo no interior do que tudo o mais, o que quer dizer que Deus criou de facto tudo; e porque Ele criou tudo, também tomará conta de tudo.

Também se afirmou que Deus não tem forma, não tem língua, não tem país, não tem cor, porque se Ele, por exemplo, tivesse país, teria de existir mais de um Deus, porque em todos os países existiria um Deus; e se tivesse uma cor, também teria de existir mais de um Deus, porque cada cor precisaria de um Deus. E é isso que significa: ‘Deus é Um e o Senhor de tudo’.

Deus também criou sem ferramentas nem materiais. Se o homem quiser construir algo, por exemplo, uma mesa, precisa de madeira, precisa de pregos, um martelo e outros instrumentos; e para ser capaz de construir a bomba atómica, o homem precisa de mais instrumentos para dividir a matéria em átomos. Mas com Deus é completamente diferente. Deus actua sem materiais nem ferramentas. Assim, para o homem poder compreender e conhecer o que existe na mente e no coração de Deus, a única coisa a fazer é entregar-se completamente; porque com a sua mente e os seus desejos ele nunca poderá encontrar Deus. Só através da entrega completa a Deus, sem para isso utilizar a sua mente, o seu coração e os seus desejos, é possível ao homem entrar em contacto com o poder de Deus.

É isso que praticamos no exercício espiritual do Subud – entregamo‑nos completamente; não utilizamos a mente, o coração e os desejos – aceitamos e recebemos apenas o que for que Deus nos envie. Assim compreenderão que o Subud é apenas um símbolo dessa forma do homem viver, na qual ele pode satisfazer a vontade de Deus e levá‑la por diante, no que a ele diz respeito, neste mundo e no outro a seguir.

Assim, no exercício espiritual do Subud não encontramos um ensinamento, não há nada para aprender ou fazer, porque tudo o que nos é pedido é a completa entrega. Uma pessoa que afirme conhecer o caminho para Deus é alguém que está a antecipar as Suas dádivas sem as ter ainda recebido.

A única coisa que fazemos é entregar-nos completamente e aceitarmos e recebermos apenas o que for que Deus nos envie ou queira que recebamos. Foi o que disseram todos os profetas: ‘Entreguem‑se completamente, submetam‑se completamente a Deus e Deus tomará conta de vós e guiar‑vos‑á’. Neste exercício espiritual não esperamos nada em particular. Não criamos quaisquer imagens, recebemos apenas o que Deus nos possa enviar.

Então, este poder divino que actua em nós durante o exercício, traz a cada pessoa aquilo que ela já possui no seu interior. Por exemplo, se a pessoa tiver uma voz sonora e forte, emitirá sons bem sonoros e fortes. Mas uma pessoa que não tenha uma voz tão sonora emitirá um som mais suave. Isso alastra a todas as partes do nosso corpo, a todas as partes do nosso ser. Assim, o exercício (ou latihan) de duas pessoas nunca poderá ser igual, porque cada uma é diferente de qualquer outra. Então, é claro que não pode existir uma teoria, ou um ensinamento espiritual no Subud, porque cada pessoa é diferente das outras. O que quer que necessite e o que quer que receba será diferente do que qualquer outra necessite ou receba. É por isso que não podemos ter regras nem dar prescrições em relação ao vosso comportamento durante o latihan, porque é algo de pessoal em relação a todos.

Todas as pessoas encontrarão, por si, o caminho para Deus, e aquele que possa ser o caminho certo para uma, pode ser completamente errado para outra. Assim, não devem pensar que é correcto seguir ou ser como Muhammad Subuh. Devem conseguir tornar-se naquilo que de facto são e desenvolver o vosso ser interior, se quiserem encontrar o caminho para Deus. Não devem seguir nem imitar ninguém, porque devem encontrar o vosso caminho para Deus. Normalmente, se existe um professor, ele ensina os que o seguem a fazer precisamente o mesmo que ele faz, para que consigam chegar onde ele terá chegado. Mas isso está errado, porque não só entre um professor e os que o seguem, como até entre dois irmãos, filhos dos mesmos pais, já existe uma enorme diferença – não apenas na sua aparência externa, mas também no seu carácter e em todo o seu ser. Assim, podem com certeza compreender agora, que a forma correcta de um determinado professor encontrar Deus, não tem de ser forçosamente a forma correcta para os seus alunos.

Então, Bapak diz‑vos que é Deus que vos leva até Ele, e o que de facto acontece no latihan é que passam a conhecer o vosso verdadeiro ser interior – o verdadeiro ‘eu’. Não devem ter medo e não se devem preocupar, porque o que for que vos surja no latihan é apenas o que já existe em vós, e vem do vosso ser interno. É o verdadeiro ‘tu’ que surge no latihan, e por isso não precisam de se preocupar ou de ter medo.

No Subud não existe descriminação entre as diferentes religiões, porque o que surge a uma pessoa é o que ela já tem no seu interior. Se a pessoa for cristã, encontrará dentro de si o verdadeiro cristão, e se ela for budista, encontrará dentro de si o verdadeiro Buda. O mesmo se for muçulmana, encontrará o muçulmano no seu interior. E depois, se conhecerem o vosso ser interno, serão guiados pelo poder divino em tudo o que fizerem, porque o poder divino actua em vós através do vosso ser, e quer trabalhem num escritório, quer conduzam um carro, quer façam outra coisa qualquer, serão guiados pelo poder de Deus, o qual actua sempre dentro e fora de vós.

Alguns de vocês poderão perguntar de onde Bapak aprendeu todas estas coisas, e a sua resposta é que o recebeu quando estava numa situação semelhante à vossa. Estava a trabalhar, ainda cumpria com o seu trabalho no escritório e o que mais tivesse que fazer, e até gostava. De repente tudo parou. A sua cabeça parou de trabalhar e o seu coração também e o mesmo se passou com os seus desejos, e depois recebeu como toda a gente recebe no latihan. Não procurava sabedoria, não tinha um guru, um mestre. Apenas o recebeu e a isso chama‑se «Mujitsat-ulla», uma graça divina. Surge a uma pessoa quando ela não o procura, e quando está preparada para essa dádiva; então Deus concede essa dádiva a essa pessoa.

 

Então, Bapak deixa convosco decidirem se querem ou não passar a receber este exercício espiritual, porque na adoração a Deus nada é obrigatório. Todos devem ser livres. Mas quando uma pessoa pede, ser‑lhe‑á dado.”

 

(1)     Este texto é uma pequena palestra do fundador do Subud, Bapak Muhammad Subuh Sumohadiwidjojo  [1901-1987]

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